quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Notícias do Davi e Corrida da Fé

Amigos(as),



Primeiramente, gostaria de dizer a todos que o Davi completou 7 meses de vida e está super bem. Já fizemos o exame de trinta dias após a cirurgia e o mesmo médico que deu o laudo da doença dele comentou: “ele não está bem, está ótimo”.

Estamos muito felizes com a plena recuperação do Davi. Vejam abaixo uma foto do “gorducho” tirada na 2ª. feira (dia do seu aniversário de 7 meses):






Por coincidência, ontem recebi um e-mail da campanha para ajudar o Kaio a encontrar um doador de médula óssea. Minha família já está no cadastro do REDOME para ser um possível doador. É algo simples.


Basta ir ao HEMOCE e tirar uma amostra de sangue. Vamos ajudar!!!!



No final de semana passado (6ª. feira), nosso grupo de corrida foi de Fortaleza-CE a Canindé-CE correndo, e segue abaixo um pequeno relato de nossa aventura.



Foram 101,5 kms no percurso abaixo:




Toda vez que comentava com alguém que iria de Fortaleza a Canindé correndo, ouvia uma frase: "isto é coisa de maluco". Naqueles minutos aguardando ansiosamente a partida, realmente sempre pensava nessa frase. Será uma insanidade? Se pensarmos bem, é algo meio insano, porém tinhamos um objetivo que era ajudar um amigo a concretizar um sonho.



Lembro ainda do dia em que o Tarcísio disse: "Tenho o objetivo de ir correndo de Fortaleza até Canindé, são cerca de 100km". Pensei: "Caramba, 100km, como é que se consegue correr tudo isso?". Tarcísio comentou que já tinha ido a pé, a Canindé, que seria uma corrida noturna. A idéia seria sair no final da tarde de Fortaleza e chegar a Canindé no início da manhã do dia seguinte. Apesar de já ter corrido a distância da maratona (42km), a idéia ainda me assustava.


O Tarcísio, decidido a concretizar esse sonho agora, em 2010, começou a fazer o seu planejamento e a se preparar fisica e emocionalmente para o desafio. Começou também a convidar seus amigos de corrida para participar com ele. Eu disse que iria se tudo corresse bem no outro desafio que eu tinha para 2010: resolver os problemas de saúde do meu filho Davi, que nasceu com uma cardiopatia congênita chamada de Tetralogia de Fallot. O Davi fez a cirurgia no dia 26 de agosto de 2010 e teve alta no dia 7 de setembro. Quando voltei a Fortaleza, recebi um e-mail do Tarcísio:



"Edgy/Wander,

Fico contente em saber que o pequeno Davi está bem. Por isso, citei os nomes num cartão que pretendo imprimir e distribuir junto com o folder da Corrida da Fé e gostaria de colocar para a apreciação de voces e se posso fazer.

Obrigado.

Tarcisio"



Nesse folder, havia a seguinte mensagem que transcrevo para vocês:



PORQUE A "CORRIDA DA FÉ"



Muitos indagam o verdadeiro motivo desta corrida. A resposta vem com outra pergunta. Por que os poetas fazem romances? Por que os músicos compõem melodias? O escritor acha sua inspiração no idealismo de contos de fada. O compositor externa o amor através da música. Para o corredor, basta ter uma Largada e uma Chegada. Sua inspiração está baseada em superar seus limites. O suor, a fadiga, o cansaço fazem parte deste momento. Toda Largada é composta de "objetivos" e de "desafios". A corrida exige do corpo esforços que podem chegar a limites extremos que são importantes na vida do corredor, pois é através deste limiar que se consegue estabelecer sonhos. A recompensa atinge o ápice, no momento em que o último passo ultrapassa a Chegada.



O percurso de Canindé tem vários anos de caminhada, o qual fazemos religiosamente no mês de Outubro. Normalmente, levamos 96 horas (quatro dias), com paradas programadas até a Basílica de São Pedro. Nos últimos três anos, este percurso foi reduzido para 36 horas de caminhada. O desafio, desta vez, é fazer o mesmo percurso em 15 horas. A corrida terá uma distância de 102km, que necessitará de uma preparação específica e muita Fé n'Ele, que, durante todo o percurso, estará sempre do nosso lado. Será uma corrida, também, de agradecimentos: primeiro, por estarmos todos com boa saúde e, segundo, por estarmos vivendo um momento de graças, pois oramos pela recuperação do pequeno Davi e temos certeza de que Ele esteve presente nas horas mais difíceis da família do Edgy.



Tarcísio Chaves”



Ao ler o folder, decidimos, eu e Luciana, que eu iria participar, embora estivesse sem preparo físico e faltasse apenas um pouco mais de um mês para a corrida. Entre esse primeiro passo e o segundo, voltar a treinar, fui definir, como participar, que distância percorrer, que preparação eu teria que fazer. Comecei a treinar com a turma novamente, principalmente aos sábados, e consegui a façanha de sair de um treino máximo de 12km (que eu tinha feito nos três últimos meses) para correr 28km de Fortaleza até Aquiraz. Ao concluir esse treino que foi feito junto com os amigos Tarcísio (que ainda iria voltar para Fortaleza para completar os 50km), Wander, Claudener e Haron, voltei a ter confiança e defini meu objetivo. A Luciana teve um apoio fundamental nessa fase, pois ainda tinhamos alguns cuidados especiais com o Davi (remédios, etc.) e ainda precisava ter algum tempo para treinar. Mesmo achando meio loucura esta ida para Canindé, ela sempre deu um jeitinho para que eu pudesse fazer os longões. Valeu, Lu!



Depois que completei minha primeira maratona em 2008 (Chicago), imaginei que poderia correr uma maratona por ano nos anos seguintes. Já havia completado a maratona de Porto Alegre em 2009, e estava programado para correr a Maratona do Rio, em 2010, porém o problema de saúde do Davi me fez desistir da Maratona do Rio. Daí pensei, poxa, se não deu para correr no Rio e agora o Davi está bem, por que não corro a minha maratona na Corrida da Fé? A minha decisão foi de correr uma maratona completa no inicio do percurso e uma meia maratona no final do percurso. Seria o equivalente a uma prova que tem na Disney, que se chama "desafio do pateta", em que a pessoa corre a meia no sábado e a maratona no domingo. Eu iria fazer exatamente o contrário, correr a maratona (42km) e depois a meia-maratona (21km) cerca de 5 a 6 horas depois. Segundo o meu amigo Zivaldo, seria o “desafio do babaca” J.



Tinha em mente que não estava preparado para correr 102km, e que ia ser muito difícil completar o meu objetivo, até por que não tive a tempo suficiente para treinar o que seria devido para realizar este objetivo.






Largada da Corrida da Fé



Chegamos à Polícia Rodoviária às 15h e esperamos o resto do grupo e, quando todos chegaram, começamos a nos organizar para a partida. Everton começou um super alongamento e, após, fizemos uma grande roda, ficamos de mãos dadas e rezamos um Pai Nosso.



Que "... seja feita a vossa vontade ...".



Partimos com os olhos brilhantes e com a vontade de concretizar o sonho do Tarcísio, que seria correr de Fortaleza para Canindé e, junto com ele, aquele grupo de amigos, de sonhadores, que sabiam que bastava ter uma "Largada" e uma "Chegada".



No nosso grupo, além do Tarcísio, o nosso amigo Fernando Mineiro também iria correr os 102km. O restante iria correr trechos alternados ou então 10km em cada trecho. A decisão do grupo foi que o Tarcísio e o Fernando não iriam correr sem alguém ao lado deles.



Meus amigos corredores sabem que sou o "pace man" (pessoa que controla a velocidade/ritmo), aquele cara que fica olhando sempre no Garmin (relógio com GPS que informa a velocidade e distância) e informando tudo nos treinos: tá lento, tá rápido, km 5, km 10... etc. Sendo assim, fui logo convocado para vestir um colete luminoso e manter o time no ritmo.



Luizinho deu a largada, soltando um "rojão" e assim que o barulho ecoou nos nossos ouvidos, cliquei no start do meu relógio e iniciamos a nossa corrida.









Tivemos um apoio sensacional da Polícia Rodoviária, que nos acompanhou do Km 0 até o outro Posto da Polícia (km 37) e nos orientou sobre a questão de segurança na estrada. Nosso amigo Nival esteve na largada e conversou com o pessoal da PRF para nos apoiar. Valeu, Nival.



Eu era o "pace man", daí comecei e gritei alto: "kilômetro um, seis e quarenta". Corremos a seis minutos e quarenta segundos, que era o "pace" esperado. Depois gritei: "kilômetro dois, seis e trinta e três", em seguida, "kilômetro três, seis e trinta e três". Nisso a Simone falou que eu iria ficar rouco rapidinho de tanto gritar, afinal de contas eram 100km e não 10km.



Disse a ela que não se preocupasse, que eu era o "homem do pace" e já estava acostumado. Agora o difícil mesmo, foi controlar o meu amigo Claudener, que sempre queria aumentar o ritmo e ultrapassar o carro de apoio que estava na frente. Eu sempre gritava: "Claudener, volta... mais leve...", bom... depois de muita insistência, o Claudener começou a obedecer e a andar num ritmo mais leve (claro que depois não deu mais para controlar o Claudener e lá estava ele na frente).



Na semana anterior a nossa ida, eu havia lido uma reportagem sobre ultra-maratonista onde comentavam que era muito importante uma caminhada durante o percurso, e definimos que a cada 40 minutos iríamos caminhar 2 minutos. Esta decisão foi fundamental, pois era neste momento que realizávamos toda a hidratação e também a suplementação (gel, capsulas de sódio, etc.). Então além de falar o ritmo, eu tinha que, a cada 40 minutos, gritar: "caminhar". Nisto, o nosso amigo Everton que ficava no apoio ficava correndo de um lado para outro levando água, gatorade, água de coco, etc. para todos. Acho até que ele correu quase uma maratona nestas idas e vindas que foram fundamentais.



Bom, como bom corredor, começamos a comemorar a chegada aos números terminados em zero, lembro bem que quando chegamos ao Km 3, o Enéas comentou que saímos do objetivo de 3 dígitos e agora estamos no objetivo de 2 dígitos (faltavam 99 kilômetros). Quando completamos 10km, o grito foi maior, e chegamos ao nosso primeiro objetivo no km 17 já combinado que iríamos parar 10 minutos (esta decisão foi do Tarcísio naquele momento). Então só deu tempo de comer algo, ir ao banheiro, suplementar mais um pouco e já estávamos novamente na estrada. Neste momento, alguns companheiros ficaram descansando e seguimos em frente. Como havia dito no início, meu objetivo era correr uma maratona (42km).



Chegamos então ao Km 20, e logo depois completamos a meia-maratona, neste momento o grito de "meeeiiiaaa maraaattoooonnaaa" foi bem alto e todos comemoraram. Depois fomos adiante e a cada kilometro eu continuava dizendo o "pace" e também chegamos ao km 30 (“killlooommeeetrrooo trriiiiiinta”). Ao chegar no km 37, já tinhamos todo o apoio montado e paramos agora 15 minutos. O grupo ia voltar a crescer, pois algumas pessoas iriam retornar a corrida. Naquele momento, faltavam somente 5km para mim, para o fabrício (que nunca correu uma maratona na vida), para o Tarcísio e para o Fernando completarem a maratona. Com o retorno de outros corredores, o grupo voltou a crescer e ao chegar no km 40, gritei "kilometro quuuaaarreeenta". Daqui a pouco o Luizinho pega outro "fogo de artifício" e ao completarmos a maratona, ele solta o rojão que ìluminou nossas cabeças e nossa alma (“mmmmmaaaaaraaaaaatoooooooooona”). Eu estava radiante, e como estávamos super bem, decidimos correr um pouco mais.



Teve até uma brincadeira do Fabrício com outro colega que no meio da corrida falou, cara, tu ainda nem correu uma maratona :-), hehehe o Fabrício então resolveu correr uma maratona + 1 km só para brincar com o amigo. Mas como tudo é brincadeira neste grupo, eu resolvi também seguir o conselho do Fabrício, e ai os amigos começaram, poxa, já fizeram 42km, para 50km tá pertinho :-). Hehehehe Acabamos resolvendo correr 50km, eu e o Fabrício (claro que o Tarcísio e o Fernando iriam fazer era os 100km) :-).



Bom, foram mais subidas e descidas (esqueci de comentar, mas o percurso é todo de subida e descida, o que dificulta muito para o corredor) e chegamos ao km 45, entao, gritei: "kiiiilllooommmeetroooo quuuaaareeennntttaaa eeee cccciiiiinnnnccccooo".

Eu nunca tinha corrido tanto na minha vida, estava super emocionado. Continuamos correndo a chegamos ao kilômetro 50. Este grito foi super alto: "CIIIIIIIIIIIIIINNNNNNNNNNNNNQQQQQUUUUUEEEEEEEEEEEEEEENNNNNTTAAAAAAAAA!!!".



Era o momento de darmos uma caminhada e eu diria que foi um momento de lucidez meu e do Fabrício de pararmos neste momento, pois a gente não tinha treinado para correr tantos kilômetros.



Apesar de faltar somente 7km para a nova parada, já tinha superado o meu objetivo e o fabrício correu sua primeira maratona, ou poderia dizer ultra-maratona.



Passei o meu relógio para o Tarcísio e disse com a voz firme: "cara, mantém o ritmo, não esquece o tempo para as caminhadas e boa sorte!!!".



Neste momento, fomos para o carro de apoio que nos levou até a próxima parada no km57. Eu e o Fabrício chegamos a Campos Belos e nosso amigo Genésio (ex-massagista do Ceará e massagista do grupo) fez uma massagem para destravar todos os nossos músculos. Ao tirar o tenis, apareceu aquele "calinho de estimação" que eu sempre tenho em corrida longa. Segundo o que eu li para resolver o problema do calo em ultra-maratona, deve-se pegar uma seringa com iodo, e injetar iodo dentro do calo (já pensaram na dor). Como não tinhamos iodo, o Genésio apenas disse que estava pequeno e colocou um esparadrapo no local.



Troquei a meia, a blusa e descansei até a chegada do grupo. Pensei que dava para dormir, mas a adrenalina é enorme...



Daqui a pouco o Tarcísio chega e me entrega o relógio, descansa um pouco, e esta parada, que era do jantar, foi um pouco mais demorada. Uma equipe chegou com o jantar de Fortaleza (para variar jantar de massas) e preparou tudo no esquema de "self-service". Estava realmente delicioso o macarrão e o molho que eles preparam, e a coca-cola gelada deu mais forças para continuarmos. Não sei se vocês sabem mas os Atletas que fazem o ironman, tomam coca-cola durante o percurso. Foi o que aconteceu conosco também.



Depois do jantar, saímos para correr e como eu iria correr somente o último percurso, neste momento, o Tito, o Zivaldo, o Fábio, o Haron, o Tarcísio e o Fernando partiram juntos e o Enéas e a Simone foram de bike. Deixei meu garmin com o Haron e corri até um dos carros de apoio mas como estava lotado, acabei indo no carro de apoio da frente dos corredores junto com o Diogão. O local era meio apertado para quem correu 50km, e o pior, ficar ao lado do Diogão não é nada confortável (vocês devem imaginar o tamanho do Diogão. Brincadeira Diogão). Comecei a acompanhar os corredores dentro do carro mas não conseguia dormir, então eu pensei, acho que vou voltar a correr.



Mudança de planos novamente, sai do carro, e comecei a correr com o grupo e voltar a ser o "pace man" daqui a pouco "kiiilllooommmeeetrrrooo seeeettteeeennntttaaaa", e aqueles momentos de corrida/caminhada. Depois chegamos ao "kiiiilllooommmmmeeetttrrrroooo

ooooiiiittteeeennnnttttaaaa" e avistamos a cidade de Caridade. Paramos em Caridade e agora faltavam somente 20km. A Coca-Cola havia acabado e, em Caridade, alguem conseguiu comprar mais Coca-Cola , foi o momento de comermos muita fruta (o Luizim só reclamou direto que tinha comprado um estoque de banana e nada dos corredores comerem bananas), comemos melancia, melão, sandubas, chocolates, biscoitos, etc. e mais Coca-Cola. Já estava quase nascendo o dia quando saímos para o último percurso. A Julyana, que foi fundamental em todo apoio até aquele momento, chegou para o Tarcísio e disse, agora eu vou correr 5km com você. Saímos, eu, Fernando, Tarcísio, Julyana, Wander e Daniel.



Neste momento, meus "calos conhecidos" se multiplicaram (acho que foi um erro ter colocado os esparadrapois, pois um se soltou e gerou um calo num local imprevisto), mas resolvi continuar para completar a meia-maratona. Ao completar a meia-maratona, tive a idéia de ir para o carro de apoio onde estava a enfermeira e me fiz um super curativo nos meus calos. Esperei chegar quando faltasse 7 a 8km para começar a correr no final. Afinal de contas, depois de correr uma maratona e meia, não chegar nos últimos kms seria realmente uma "insanidade".



Foram os momentos mais emocionantes, comecei a correr e aqueles "calos conhecidos" estavam incomodando, mas como já tinha feito o curativo, mantive a postura e segui em frente. Daqui a pouco tem a placa "Canindé 5km". Era hora da caminhada e aproveitamos para tirar uma foto ao lado da placa. Poxa, 5km, é menos que a beira-mar ida e volta, porém eram 5km até a entrada da cidade, e faltavam mais ou menos uns 7km para chegarmos no objetivo final: "A Basílica". Tarcísio e Fernando estavam firme e fortes, e o Tarcísio sugeriu uma parada de 5minutos na Polícia Rodoviária, porém aconteceu o inesperado, ao chegarmos na Polícia Rodoviária, um carro saiu em escolta dos corredores na frente do comboio. Tarcísio disse, agora não vamos mais parar, e decidimos ir em frente, a emoção começou a tomar conta de todos. Estávamos chegando, e no meu caso, eu já nem sentia os "calos". Ao entrar na cidade, fomos recepcionados pelo Secretário de Turismo que entregou para o Tarcísio e Fernando a "Chave da Cidade".




Tem um detalhe interessante nesta corrida. O Fernando gosta muito de correr descalço (até comenta conosco que é melhor), e quando chegou no km10 ele resolveu tirar o tenis (na verdade ele não usa um tenis com amortecimento e sim apenas algo para cobrir os pés), e a partir do km10 começou a correr descalço. Se eu não tivesse visto, não acreditaria. Foi incrível, acho que ele é de outro planeta, correu cerca de 92km descalço, sempre naquela linha branca que separa a pista do acostamento. Acho até que ele chegou com os pés melhores do que o meu J. O Tarcísio também foi um guerreiro, pois desde o início tinha em mente que iria completar os 101km e chegar bem.



Vocês não imaginam a emoção de estar chegando, e eu diria que todos os corredores que participaram da "Corrida da Fé" podem se considerar "Maratonistas". Todos, sem exceção, correram mais de 42km. Estávamos todos radiantes e daqui e pouco chega o carro de som da Paróquia anunciando a chegada dos corredores da "1a. corrida da fé". Não tinha mais nenhuma caminhada, todos estavam correndo a mantendo o ritmo, a felicidade era enorme, e começamos a ficar cada vez mais perto da Basílica, a multidão de pessoas abria espaço para a chegada dos corredores, e de repente, fizemos a última curva a esquerda e ficamos a 50 metros da Basílica.



Neste momento de grande emoção, os amigos corredores, que tinham um sonho, deram aquele sorriso, aquele abraço e fizeram novamente uma grande roda, onde todos juntos, inclusive os que não correram mas foram fundamentais, como todos os motoristas, o massagista e a enfermeira, rezaram em tom alto um "Pai Nosso" de agradecimento.



Em seguida, recebemos uma placa comemorativa da 1ª Corrida da Fé do Vigário de Canindé, em seguida, ele deu uma benção a todos presentes e nos purificou com água benta. Foi outro momento de grande emoção.




No meu caso, apesar de não ter feito nenhuma promessa pelo Davi, recordei todos os momentos que passei neste ano e muito emocionado, chorei e agradeci a Deus por ter nos dado força, confiança e fé. Foi realmente com muita fé que conseguimos chegar! Agradeço muito ao Tarcísio esta oportunidade do momento de graças pela recuperação do pequeno Davi.



Agora em Dezembro irei completar 5 anos que deixei de ser sedentário e iniciei a prática esportiva de corrida.

Nunca havia imaginado na minha vida que conseguiria correr 78km.



Obrigado Deus pela saúde do Davi por ter nos dado força e saúde!!!



Para finalizar, gostaria de compartilhar abaixo o texto do Wander sobre a corrida da fé e fazer um agradecimento especial aos organizadores desta corrida: "Tarcísio, Wander e Luizim". Sem o apoio e dedicação de vocês, nada teria acontecido. Foi tudo PERFEITO!!!

Ao restante do grupo, gostaria de dizer que todas as brincadeiras, camaradagem, apoio, dedicação, esforço, suor e lágrimas foram fundamentais e não me esquecerei do rosto emocionado de cada um de vocês na chegada.

Não posso deixar de comentar do apoio na Execução da Julyana (com suas surpresas e o delicioso café da manhã na casa de sua irmã), das massagens do Genesio, da fisio/pilates e corrida do Everton (seu espírito forest gump no apoio), da moto do Luciano, do Helano, do Jacaré (que ainda correu conosco) e dos outros motoristas e da equipe que trouxe o jantar.



"... se trabalharmos nossos sonhos e limitações, podemos alcançar tudo que tenha um significado importante para nossa vida..." Valmir Nunes



Texto do Wander:



"Aos amigos que acompanharam treinos e noticias sobre a CORRIDA DA FÉ, gostaria de informar que nosso Desafio foi um SUCESSO e conseguimos completar nossos objetivos.

Nosso amigo Tarcísio Chaves compartilhou conosco o objetivo, e o convite fez com que nos empolgássemos em compartilhar com ele o desafio, um desafio entre amigos.

A Corrida da Fé foi marcada pela união de um grupo seleto de amigos que, focados no mesmo objetivo, treinou com muita determinação e compartilhou todos os custos envolvidos. Comboio de carros de apoio, alimentação, hidratação e até mesmo refeição quente de massas no km 60 proporcionou a esta corrida a estrutura de que necessitávamos nas 4 paradas planejadas e durante todo o percurso.

Na véspera do Desafio, quinta-feira 14/10, foi feita a apresentação - por parte da organização - de todo o planejamento, e também feita a distribuição de folder, dedicatória e kit para cada participante.

Nossa Corrida da Fé teve início no dia 15/10/2010 pouco antes das 17h, no posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-020/BR-222. Fomos recebidos em nossa chegada na manhã de sábado 16/10/2010, às 7h30 - ainda na entrada da cidade - pelo Secretário de Turismo do município que, em nome do Prefeito Municipal, entregou aos ultramaratonistas Tarcisio e Mineiro a chave da cidade, sob os aplausos de todos nós e da população.

Também fomos recebidos com festa na praça da Basílica pelos demais Romeiros - sob fogos de artifício - como uma forma de reconhecimento ao Desafio, o que muito nos honrou.

Recebemos das mãos do Vigário a Placa Comemorativa da 1ª Corrida Fortaleza a Canindé, o qual aproveitou a oportunidade para abençoar a todos os corredores e equipe de apoio formado por Motoristas, Paramédicos, Treinadora, Profissional de Pilates/Fisioterapia.

Nossa corrida foi marcada não só pelo aspecto esportivo, mas também pelo caráter religioso de que se reveste Canindé nesta época. Esta seria a última semana dos festejos religiosos da Romaria ao Santuário São Francisco das Chagas de Canindé – Ceará.

Completamos o desafio até Canindé dentro das 15h planejadas, ultramaratonistas Tarcisio e Fernando Mineiro o percurso inteiro de 101,5km, e os demais as diferentes distâncias a que nos propusemos correr no total (40km a 80km).

A todos nós, que compreendemos os riscos e os aceitamos, meus parabéns. Foi uma honra ter participado - junto com um grupo de amigos tão especial - de um Desafio de tamanha proporção. Emocionante. Inesquecível.”



"Quem sobreviver e voltar para casa em segurança acordará todo ano nesse dia, mostrará aos vizinhos as cicatrizes e contará histórias de todos os grandes feitos da batalha. Contará ao filho estas histórias e seremos lembrados deste dia até o final dos tempos.

Nós, um bando de poucos e felizes irmãos; porque quem derrama o sangue comigo é meu irmão..."

"Discurso da Guerra", Henrique V (Shakespeare)



FOI EMOCIONANTE. SERÁ INESQUECÍVEL!!!







0 comentários:

Postar um comentário